Exportações de calçados desaceleram no primeiro trimestre

Publicado em: 11/04/2017

Fonte: Assessoria de imprensa - Abicalçados

Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que as exportações de calçados desaceleraram nos primeiros três meses do ano. De janeiro a março foram embarcados 31,33 milhões de pares que geraram US$ 259 milhões, número 1,6% inferior em volume e 14,2% superior em dólares no comparativo com igual período de 2016 (31,84 milhões de pares e US$ 226,72 milhões).
 
O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, explica que, embalados pela desvalorização do dólar, os preços dos produtos brasileiros para o exterior aumentaram 16%, de US$ 7,12 para US$ 8,27 o par. “Em um primeiro momento, avaliando a cifra em dólares, podemos chegar à conclusão de que os embarques aumentaram, mas não é o correto. Nossos calçados, em virtude da subvalorização da moeda norte-americana, ficaram mais caros, pois nossos custos são em reais, moeda hoje mais forte”, comenta, acrescentando que, nos últimos meses do ano passado – quando as exportações aumentaram mais de 30% - as coleções haviam sido negociadas com um dólar próximo a R$ 3,60. “As coleções que estão aparecendo agora nos levantamentos foram negociadas em novembro, dezembro e janeiro, com um dólar já no patamar de R$ 3,10 a R$ 3,15, por isso a queda já pode ser verificada”, avalia o executivo.

Expectativa
Segundo Klein, com a moeda norte-americana estabilizada em patamares baixos, a tendência deve ser de queda ainda maior ao longo do ano. “O câmbio, num patamar favorável, acaba sendo um compensador para o alto custo que se é produzir no Brasil e que, invariavelmente, nos tira competitividade no exterior. Quando nem o câmbio ajuda, a situação fica realmente complicada”, completa Klein.
 
Destinos
Nos três primeiros meses de ano, o principal destino do calçado brasileiro foram os Estados Unidos, para onde foram embarcados 3,16 milhões de pares que geraram US$ 48 milhões, quedas de 16% em pares e 3% em dólares na relação com igual período do ano passado.
 
O segundo destino foi a Argentina, país que importou 2 milhões de pares por US$ 35,65 milhões, incrementos tanto em volume (50%) quanto em divisas (104,5%) no comparativo com mesmo ínterim de 2016.
 
O terceiro comprador do período foi a França, que importou 1,8 milhão de pares por US$ 15,3 milhões, números inferiores tanto em pares (-55%) quanto em dólares (-13,3%) em relação com 2016.
 
RS: maior exportador do País
Nos três primeiros meses do ano, o Rio Grande do Sul seguiu como o maior exportador de calçados. No período, os gaúchos exportaram 6,87 milhões de pares que geraram US$ 113,66 milhões, altas de 6,4% em pares e 18% em dólares na relação com o mesmo período de 2016. Com isso, o Estado respondeu por quase 44% dos valores gerados pelos embarques de calçados no Brasil.
 
O segundo exportador do País foi o Ceará, de onde partiram 12,15 milhões de pares pelos quais foram pagos US$ 67 milhões, números superiores tanto em volume (1,6%) quanto em cifras (8,4%) na relação com 2016.
 
Com queda de 21,4% no volume de embarques e um aumento de 12% nos valores gerados, São Paulo aparece na terceira posição entre os exportadores. No trimestre os paulistas embarcaram 2 milhões de pares por US$ 30 milhões.
 
Importações em alta
Se a subvalorização do dólar prejudica as exportações, o contrário acontece com as importações de calçados. “Com o dólar desvalorizado, os produtos importados ficam mais baratos, aumentando a presença no varejo nacional”, explica Klein. Após ter caído mais de 30% no ano passado, a entrada de calçados vem aumentando rapidamente nos primeiros meses. Entre janeiro e março foram importados 8 milhões de pares por US$ 100 milhões, números ainda inferiores tanto em pares (-3,3%) quanto em dólares -(0,9%)  no comparativo com 2016.
 
As principais origens das importações foram Vietnã (3 milhões de pares por US$ 56,5 milhões, incrementos de 0,8% e 4,3%, respectivamente), Indonésia (1,12 milhão de pares por US$ 19,4 milhões, quedas de 9,4% e 11,5%, respectivamente) e China (3,15 milhões de pares por US$ 11,2 milhões, quedas de 14,7% e 55,5%, respectivamente).
 
Em partes de calçados – cabedais, palmilhas, solas, saltos etc – as importações do trimestre também caíram. No período, entraram no País o equivalente a US$ 3,18 milhões desses materiais, queda de 34,7% na relação com o ano passado. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.