Polo de Birigui forma comitê para implantar projeto Sola

Publicado em: 10/05/2017

Fonte: Micheli Amorim - Facilita Conteúdo / Assessoria de comunicação do Sinbi

Indústrias calçadistas de Birigui formarão um comitê para viabilizar e acelerar a implantação do projeto Sola (Sistema de Operações Logísticas Automatizadas), encabeçado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). A decisão foi tomada em reunião na manhã desta quarta-feira (10), realizada na sede do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (Sinbi).

A proposta do projeto é criar uma identificação única, por meio de leituras de códigos de barras, que permita a rastreabilidade de todos os itens da cadeia - desde os suprimentos (todos os volumes serão identificados), passando pela indústria de calçados e lojas (mercadorias identificadas) até chegar ao consumidor final.

Segundo o assessor executivo da Abicalçados Igor Hoelscher, que comandou o encontro, o cenário exige agilidade, principalmente para quem trabalha com moda, como a indústria calçadista. No entanto, hoje, cada empresa tem uma solução para seus projetos. “A logística é um ponto onde as empresas não concorrem, mas têm interesses comuns. Por isso precisamos encontrar uma padronização para entrada e expedição de mercadorias e ter um fluxo mais rápido, sem retrabalho.”

GÔNDOLAS

O setor supermercadista foi citado por Hoelscher como exemplo de padronização. Todos os produtos que entram nas lojas do varejo já têm um código de barras único, que sai da indústria e chega até o consumidor final. Porém, o sistema utilizado por eles (supermercados) não se aplica aos calçados que têm características mais específicas.

“No setor calçadista é impossível o consumidor encontrar informações sobre um determinado produto. A fábrica produz com um código, a transportadora vem e coloca outro, na loja são inseridos outros, e assim por diante. Quando chega ao consumidor, não há mais uma identidade. Essa identidade do produto tem que vir da indústria, por isso esse sistema de rastreabilidade e logística precisa partir da fábrica, que será a facilitadora de contato”, definiu.

EFICIÊNCIA

Entre as vantagens do projeto Sola estão a eficiência e precisão na expedição de mercadorias, armazenamento e movimentação (eliminação de erros, desvios ou possível demora ao contar a produção, realização de inventário, embarque e recebimento de mercadorias, rastreabilidade, emissão de faturamento, lançamento de registros no sistema e manifestação do destinatário); gestão de estoques; melhor gerenciamento das transações comerciais; e redução de custos, com a eliminação do retrabalho, com conferências manuais, redigitação de documentos e re-etiquetagem, etc. 

O sistema segue o padrão global GS1, que garante identificação inequívoca, e também é base para o uso do RFID, que transmite informações sem intervenção humana.

ALINHAMENTO

Romildo Ramalho de Brito, diretor da área industrial da Klin, conta que o processo apresentado pela Abicalçados está parcialmente implantado na fábrica onde ele atua desde 2011. No entanto, funciona dentro da empresa até a transportadora. “Falta o alinhamento com o cliente, pois cada um tem uma particularidade. Agora, com o respaldo da associação (Abicalçados), estamos otimistas de que todos falaremos a mesma língua, o que será ótimo para toda a cadeia. O primeiro passo foi dado, que é a vontade de fazer. Agora precisamos agir”, disse.

Na Pampili a situação é semelhante a da Klin. De acordo com o analista de tecnologia da informação e infraestrutura Frederico Vargas Neto, a empresa investe em automação há mais de uma década e, dentro da fábrica, já existe o controle de todos os processos produtivos. “Até nos nossos espaços-conceito, que são as lojas próprias, esse sistema de código de barras funciona muito bem. Mas os clientes precisam acompanhar essa evolução da indústria.”

MODELO

A ideia do comitê em Birigui é facilitar a discussão dos fabricantes com os clientes (revendedores), saber suas demandas e assim, implantar um sistema nas indústrias que atenda as expectativas deles. As fábricas de Birigui que já estão mais avançadas no item automatização farão parte do grupo e servirão como modelo para as demais.

No Rio Grande do Sul, sede da Abicalçados, um comitê gestor já está montado com a participação de grandes nomes da indústria nacional - como Grendene, Pegada, Bottero, Via Marte, entre outras. Atualmente, é esse comitê que define as estratégias para viabilização do projeto Sola, que agora passa a contar com o polo de Birigui.